Você já se sentiu inseguro, com medo ou em risco? Já pensou no potencial de alguma situação de catástrofe ou que pode gerar um desastre? Neste artigo discutiremos, de maneira breve, o que são riscos e desastres e quais os movimentos que podem ser feitos ou realizados para se antecipar, conviver e/ou fazer a gestão de riscos e desastres naturais ou humanos.
Estar em situação de risco é uma condição imprevisível de perigo, incerteza e medo, que pode ameaçar pessoas, animais ou o ambiente. Desastre é o acontecimento ou a situação grave que pode interromper o funcionamento da “normalidade” de uma sociedade, podendo causar perdas e danos de ordem material, humana e ambiental. O desastre pode ser classificado pela capacidade de resposta para recuperação do cenário de crise por ele ocasionado; é considerado, também, quando a sociedade não tem capacidade de responder ou se recuperar facilmente deste. Normalmente, se desenvolve por fatores que dependem da velocidade com que acontece e da origem, incluindo a intensidade, a evolução e a periodicidade. Como exemplos, podem ser citados deslizamentos de terra, alagamentos, ciclones, incêndios (quando não causados por ação humana), pandemias, tempestades e outros (BRASIL, 2010). Os desastres acarretam consequências em diversos aspectos: no econômico, no social, no legal, no cultural e, também, nas questões psicossociais.
Em se tratando de terminologias, a catástrofe é uma palavra de origem grega que significa ruína, abalo. Está associada ao desastre, mas é algo que causa danos maiores, afeta negativamente a sociedade e a origem natural da qual é conduzida. De alguma forma, é um evento fatídico, que pode ocasionar mudanças drásticas, as quais podem ser permanentes. Diferencia-se de um desastre não apenas pela incapacidade de recursos para reconstrução, mas, também, pela dificuldade da reconstrução ou da retomada à normalidade anterior. Como exemplo de catástrofes naturais, temos os terremotos, os furacões, os vulcões e tsunamis (BRASIL, 2010).
No ano de 2020, aconteceram movimentos advindos do Sistema e da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, a fim de pensar em propostas, comportamentos e políticas públicas que, de alguma forma, mobilizassem a sociedade para a prevenção e o enfrentamento de riscos aos desastres. Em 13 de outubro, no dia internacional para Redução de Riscos, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou uma nova campanha, com o objetivo de aumentar significativamente o número de países que possuem estratégias para a redução de riscos aos desastres locais e nacionais, sendo que este é o item 7 do Marco de Sendai para a redução de riscos e desastres do ano de 2015. A proposta buscou sensibilizar os gestores públicos que de fato se preocupam com sua população, para o desenvolvimento de mecanismos da boa governança dos países, estados e municípios, ou então, para a preocupação fundamental de focar em estratégias de prevenção, mitigação ou preparo para eventuais desastres, por meio da gestão de riscos (MDR, 2021). Como resultado, no dia 24 de dezembro de 2020, foi publicado o Decreto nº 10.593, que dispõe sobre a organização e o funcionamento do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil e do Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil e sobre o Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil e o Sistema Nacional de Informações sobre Desastres (MDR, 2022).
A comunidade em geral, sobretudo os profissionais de saúde, mobilização social e de segurança pública têm desempenhado papel ativo nessa iniciativa. À comunidade, cabe o papel de também ser protagonista e se envolver em mobilizações para o apelo de melhorias em situações inadequadas de saneamento básico e infraestrutura, bem como na participação social em espaços específicos como os conselhos, dentre outros. Aos profissionais das áreas das ciências sociais, de saúde e segurança fica evidente a constante necessidade de atualizações, capacitações e treinamentos, para que possam ser vetores de acolhimento, encaminhamentos e acesso ao sistema de garantia de direitos, com finalidade específica, a depender de uma das cinco fases vivenciadas nas situações de desastres: definição das estratégias possíveis de prevenção, de mitigação, de preparação, de respostas e de reconstrução.
Os desastres naturais, assim como outros eventos potencialmente traumáticos, possuem algumas características que permitem pensar que podem levar ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade e do humor, designadamente por serem acontecimentos percebidos como imprevisíveis, que envolvem experiências de perda e que podem implicar em grandes mudanças de vida para uma série de indivíduos (vítima, colegas e família, comunidades).
A psicologia, nesse sentido, possibilita condições de atuar na articulação intersetorial com profissionais de políticas públicas e de mobilização social, com foco nos direitos humanos: prevenir e dar autonomia às populações para gerir a vulnerabilidade de determinado território; participar com a percepção de riscos, participação de planos de preparação e resposta em parcerias; sensibilizar gestores e lideranças comunitárias para o trabalho com a redução de danos; identificar os recursos; preparar as demandas de saúde mental; qualificar as pessoas com a escuta qualificada; desenvolver a comunicação de risco adequada para diversas organizações não governamentais; estabelecer protocolos mínimos de atendimento às situações humanitárias que orientam sobre essas demandas, dentre outras. Além disso, são responsáveis por motivar as pessoas da comunidade para que estas atuem como protagonistas da sua história, mesmo em situações de risco, que, por vezes, são tão difíceis de serem enfrentadas.
O que podemos fazer, por meio das políticas públicas, instituições governamentais e não governamentais, sociedade civil, iniciativa privada e outras organizações, no sentido de tornar possível e propor, dentro de cada estrutura, a prevenção de riscos e desastres? Preocupar-se e prevenir os riscos e desastres é tarefa de toda a sociedade, afinal, somos uma sociedade que convive com crises e riscos (ambientais, econômicos, sanitários e políticos, dentre outros). A prevenção ainda é uma das melhores alternativas. Desenvolvimento regional também é isso! Prevenir, conviver, ter a capacidade de resiliência e responder aos imperativos ou acontecimentos que, por vezes, são indesejados.
Referências
BRASIL. MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL. Gestão de riscos e de desastres: contribuições da psicologia. Secretaria Nacional de defesa Civil. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. UFSC. Florianópolis: CEPED, 2010.
MDR. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL. A AP&DC e os 30 anos de desastres no Brasil: (1991-2020). Secretaria Nacional e Proteção da Defesa Civil. UFSC. Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil. Florianópolis: FEPESE, 2022.
MDR. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL; Instituto Siades. Disponível em: https://www.gov.br/mdr/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/protecao-e-defesa-civil-sedec; https://www.institutosiades.org.br/publicacoes/. Acesso em: 17 maio 2022.
Autores
Jaquelini Conceição – Psicóloga, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UNC).
Jairo Marchesan – Geógrafo, docente do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UNC). E-mail: [email protected]
Daniela Pedrassani – Médica veterinária, docente do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UNC).