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A Linguagem e a Plasticidade Neuronal

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A linguagem é a capacidade de aquisição e utilização de sistemas complexos de comunicação que se desenvolveu com os seres humanos ao longo dos anos.

 

 

Morais et al (2015) citam os estudos de Santaella (2005) para abordar os três tipos de linguagem – verbal, visual e sonora – os quais constituem-se nas três matrizes da linguagem e pensamento, a partir das quais se originam todos os tipos de linguagens e processos sígnicos que os seres humanos foram capazes de produzir no percurso de toda a sua história evolutiva.

 

 

Dentre as grandes variedades e multiplicidade de formas de linguagens, segundo Santaella (2005 apud Morais et al, 2015) encontram-se a literatura, a música, o teatro, o desenho, a pintura, a escultura e a arquitetura.

 

 

Assim, a linguagem é um instrumento que contribui para a formação cultural dos seres humanos, os quais procuram conhecer e explicar o mundo através dessas diversas formas de expressão. Dessa forma, a linguagem utilizada pelos seres humanos torna-se um ícone da identidade do “mundo humano”.

 

 

O desenvolvimento da linguagem, se dá de acordo com as fases do desenvolvimento humano. Assim, para Vygotsky (1984 apud Rodriguero, 2000), a criança, antes de começar a controlar o comportamento, começa a controlar o ambiente com a fala. Nesse processo, são produzidas novas relações com o meio, além de uma nova organização do próprio comportamento.

 

 

Ainda para Vygotsky (1984 apud Rodriguero, 2000), a linguagem desempenha importante papel na percepção, pois a criança começa a perceber o mundo não apenas através dos olhos, mas também da fala, que se torna parte essencial do seu desenvolvimento cognitivo. Assim, a fala desempenha funções na reorganização da percepção e na criação de novas relações entre as funções psicológicas. Consequentemente a isso, a linguagem determina o desenvolvimento do pensamento, pois o crescimento intelectual da criança ocorre na medida em que esta domina a linguagem.

 

 

Dessa forma, a linguagem transcende a experiência pois, através dela é possível criar um mundo estável de ideias que nos permite lembrar o que já aconteceu e projetar algo à frente. É pela linguagem que o homem deixa de reagir somente ao presente, ao imediato e passa a pensar o passado e o futuro e, com isso, a construir o seu projeto de vida no mundo e a sua identidade cultural.

 

 

 

Devido a sua importância, destaca-se que a construção das habilidades de linguagem começa ainda na infância, quando as conexões cerebrais são mais propícias para o aprendizado. A leitura, especificamente, além de contribuir para a ampliação do vocabulário, formação da consciência fonológica e identificação de letras e palavras, também estimula a dinamicidade do sistema nervoso: a chamada plasticidade neuronal.

 

 

Sobre a plasticidade neuronal, Rotta (2007 apud Morais et al 2015, p. 3) explica que esta “inclui a divisão neuronal, a migração celular, a formação de circuitos neuronais; a plasticidade dos prolongamentos celulares, que inclui o aparecimento de dendritos, o alongamento e a arborização axonal; a plasticidade sináptica; e as modificações neuro-químicas e funcionais”.

 

 

Sendo assim, quanto mais melhoramos a leitura, mais a ativação das regiões cerebrais, especialmente a occípito-temporal esquerda, aumenta. A leitura modifica as regiões ativadas, a anatomia do cérebro: o corpo caloso se espessa na parte posterior que conecta as regiões parietais dos dois hemisférios, o esquerdo e o direito (DEHAENE, 2012 apud MARTINS et al, 2015, p.3). Nesse sentido, pode-se afirmar, segundo Martins et al (2015) que a aprendizagem e a proficiência em leitura contribuem para a formação de novas memórias, dando então plasticidade ao cérebro. Ou seja, a leitura é uma das chaves modificadoras das redes corticais do cérebro e, quando mais a leitura é praticada, mais memórias são formadas, consolidadas e evocadas. Para os autores, os neurônios, envolvidos na leitura estabelecem inúmeras sinapses, revelando maiores alterações morfológicas quando se trata sobretudo de aprendizagens mais complexas.

 

 

Sendo assim, vamos aproveitar os momentos de lazer para colocarmos as nossas leituras em dia e estimular a plasticidade neuronal potencializando também a nossa capacidade intelectiva?

 

 

 

Referências

MORAIS, Mario Ribeiro. Et al. Neuroplasticidade e matrizes da linguagem e pensamento: Contribuições da Leitura Poética. XIX Congresso Nacional de Linguística e Filosofia. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2015. Disponível em: http://www.filologia.org.br/xix_cnlf/cnlf/09/012.pdf Acesso em: 21 dez. 2021

Rodriguero, Celma Regina Borghi. O Desenvolvimento da Linguagem e a Educação do Surdo. Psicol. Estud. 5 (2) • 2000. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pe/a/XQCr6SWDty6CJgvzh7Zn4vQ/?lang=pt> Acesso em: 28 dez. 2021

 

Autoras:

Daiane Castro Monteiro de Souza – Aluna de Graduação em Psicologia da Universidade do Contestado UNC, Canoinhas/ SC. E-mail [email protected]

 

Princela Santana da Cruz – Docente do Curso de Psicologia e Mestranda em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UNC) Canoinhas/SC. E-mail: [email protected]

 

Equipe Gazeta
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