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Você costuma examinar sua aparência no espelho com frequência, compará-la constantemente com a dos outros, preocupar-se com algum defeito sutil ou até mesmo inexistente a ponto de te gerar uma forte angústia ou aansiedade? Cuidado, você pode estar sofrendo de Transtorno Dismórfico Corporal (TDC).

 

 

O TDC é uma condição psicológica que se caracteriza pela percepção distorcida da própria imagem corporal, juntamente com a preocupação sem controle com a aparência física. Os portadores do TDC dão importância exagerada a defeitos que, apesar de muitas vezes serem imperceptíveis para outras pessoas, assumem uma dimensão enorme aos seus olhos. Este transtorno atinge 2% da população, sendo que só no Brasil corresponde a cerca de 4,1 milhões de pessoas (BERNARDO, 2019).

 

 

Geralmente este transtorno tem início no período da adolescência, quando os jovens vivem um momento de transformação e descobertas, e que pode, em alguns casos, levar à algum tipo de sofrimento com impactos na vida social, acadêmica e/ou familiar dependendo de como este jovem vivencia este período do adolescer.

 

 

Em tempos de redes sociais e com culto à aparência física em alta, o quadro sintomatológico do TDC encontra um terreno fértil para crescer. As redes sociais interferem diretamente no comportamento humano, instigando e estimulando padrões corporais a serem seguidos. Essa influência contribui para o aparecimento de novas síndromes conhecidas como síndromes tecnológicas, que também inclui o TDC (NEVES, 2020)

 

 

Existem também outras prováveis causas deste distúrbio psicológico, que pode estar relacionado com desequilíbrios neuroquímicos – principalmente nas taxas de serotonina -, além de outros fatores como o genético e a própria educação da criança, inserida em um meio em que há uma preocupação excessiva com a imagem.

 

 

Segundo um estudo realizado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), existem algumas características comuns encontradas nas pessoas que são mais suscetíveis ao TDC como: ansiedade; perfeccionismo; depressão; insegurança; baixa autoestima; tendência à solidão; introspecção e tendências obsessivas.

 

 

Os sinais e sintomas do transtorno incluem: preocupação constante com algum defeito estético que para os outros não pode ser visto ou parece significante, acreditam que os outros estão sempre olhando para sua aparência de forma negativa; se olham no espelho com frequência procurando defeitos; tentam esconder “falhas” percebidas com maquiagem ou roupas; fazem comparações constantes de seu corpo com as das outras pessoas; realizam procedimentos estéticos ou cirurgias plásticas com frequência para tentar consertar o defeito que os incomodam; perguntam constantemente para os outros se o defeito ou a falha está muito visível; podem se concentrar excessivamente em uma ou mais partes do corpo; evitam eventos sociais.

 

 

Geralmente, o tratamento para a dismorfia corporal é feito com sessões de psicoterapia, onde o foco é minimizar a percepção distorcida que a pessoa tem sobre si própria e auxiliá-la a lidar com situações que lhe geram sofrimento, como também diminuir e/ou substituir os rituais de checagem da aparência. É importante associar técnicas de habilidades sociais para que esses indivíduos não se menosprezem e se sintam inferiores, além de ser necessário compreender a causa dos sentimentos de inadequação. Conceitos estereotipados de beleza enfatizados pelas famílias e na cultura também devem ser desconstruídos.

 

 

Além disso, pode ser necessário tomar antidepressivos e ansiolíticos. Estes remédios, prescritos por médicos, podem ajudar a diminuir os comportamentos obsessivos associados à dismorfia corporal, contribuindo para melhorar a autoestima e uma melhor a qualidade de vida (BONFIM, 2016).

 

 

É importante destacar que todos estamos suscetíveis a esse transtorno, que vivemos em uma sociedade frágil, onde a aparência física tem um grande valor e para evitar este tipo de transtorno, torna-se imprescindível aceitar e respeitar o próprio corpo, assim como não se pressionar em busca de padrões que não correspondam ao próprio tipo físico.

 

 

Como se cuidar para evitar o TDC? Se ame, se cuide, busque melhorar para você, fugindo de padrões pré-estabelecidos. Se notar que preocupações com seu corpo estão tomando grandes proporções, procure um psicólogo, a psicoterapia tem diversas abordagens e uma delas poderá te ajudar nesse processo.

 

 

 

REFERÊNCIAS

BERNARDO, André. Síndrome da feiura imaginária: conheça a dismorfia corporal. VejaSaúde. 08 nov. 2019. Disponível em: < https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/sindrome-da-feiura-imaginaria-conheca-a-dismorfia-corporal/> Acesso em: 15 out. 2021

 

BONFIM, Grazielle Willian et. al.. Transtorno Dismórfico Corporal: revisão da literatura. Contextos Clínicos. Vol.9. 2.ed; 240-252, 2016

 

NEVES, E. C. Transtorno Dismórfico Corporal: a influência das redes sociais em jovens. Anais do Forum de iniciação Científica do UNIFUNEC, v. 10, n. 10, 2020.

 

Príncela Santana da Cruz – Docente do curso de Psicologia da UnC Canoinhas e Mestranda no Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UnC). E-mail: [email protected]

 

Estela Maris Karoleski Chupel – Discente do curso de Psicologia da UnC Canoinhas. E-mail: [email protected]

Equipe Gazeta
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